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Oliver e Bento

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Eu sabia que chegaria um dia para falar destes dois, e este dia chegou, mesmo que eu não tenha testemunhado tudo que ocorreu, e que as notícias tenham chegado a mim por Whatsapp e Facetime. Mas vamos começar do início, falando de Oliver, o pequeno cão marrom da família que mora nos fundos do condomínio. Creio que deve ter em torno de seis a oito anos de idade, e admiro a inteligência do cãozinho, pois entre tantos cães que esta família já teve, creio que este é o que está vivo a mais tempo. Não é neste momento o único cão da família, existem mais três que vivem numa antiga quadra de tênis desativada, e que latem freneticamente para todos e qualquer coisa que se dirija para o final do condomínio. Mas, diferentemente destes três, Oliver goza de total liberdade. Total liberdade mesmo, ele se considera o rei do condomínio. Este cão alfa sai pelas grades do portãozinho da sua casa e passeia sozinho pelo condomínio e além, isto é, ele sai do condomínio, passeia tranquilamente lá for...

Onipresença canina

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Creio já ter falado de como Bento se tornou onipresente em nossas vidas. Ele toma nossas mentes, nossos afazeres, nosso dia-a-dia, cola em nós como uma segunda pele. Pois eu viajei há alguns dias, para dar uma atenção a filha mais velha em Nova Iorque, e de alguma forma todos os assuntos vão parar nele. A filha daqui morre de saudades do bichinho, de tanto falar nele e mostrar suas fotos fofas aos colegas já conseguiu um fã clube em NI. Frank é apaixonado por cães e morre de amores por ele sem nunca o ter conhecido pessoalmente. Meu marido também viajou por estes dias, para um compromisso social e para ver o filho no Rio. Ele está com a filha do meio, e mais que colou nela. Ele só come ao lado dela, só vai ao quintal00023 se ela for junto. Ele sente a nossa falta. Sempre que algum dos filhos distantes fica conosco por alguns dias - e ele gruda feito carrapato no membro regresso da família -, ao ir embora deixa Bento numa tristeza inconsolável por uns três dias. O cão é por dem...

Memória de elefante

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Bento é um pequeno cão, mas com uma grande capacidade de memorização. Não somente isso, ele é muito inteligente, e sabe quando faz coisas erradas. Como sempre digo: a questão é como ele usa sua inteligência... Das suas correrias junto à cerca, ficam lhe as patas sujas de terra. Então eu o colocava sobre a máquina de lavar roupas ao lado do tanque e o limpava com um pano ensaboado. Daí que um belo dia, ao entrar com as patas sujas eu falei: vamos limpar estas patas! Foi o suficiente para ele dar uma carreira e saltar sobre a máquina de lavar. E ele repetiu o processo na vez seguinte que apareceu com as patas com terra. Ainda bem que tenho minha filha como testemunha, é muita esperteza para um cachorrinho só! Mas preocupada caso ele viesse a cair de mal jeito durante o salto (ele pula realmente alto!), passei a limpar suas patas no chão. Não é tão confortável para mim, no entanto mais seguro para ele. Ele entendeu o recado e não saltou mais. Ele também entende o que lhe pedimos...

Tocou o terror na Península

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Depois de passeios razoavelmente bem sucedidos na redondeza (nota 8!), hoje resolvi levar Bento a Península. Afinal faziam alguns meses que não íamos com ele lá, e ele adora, dá até para tomar banho no lago Paranoá. Chamei o maridão para nos acompanhar na empreitada. Bem que ele me disse para levar o colar eletrônico, mas não é a prova d'água, argumentei, e fomos só de Bento com coleira e guia. Mas, chegando lá... O danado esqueceu todas as regras e comandos, saiu feito maluco me arrastando, cheirando tudo, mijando tudo... Todas as tentativas de controlá-lo foram em vão. O jeito foi soltar a guia, e o bichinho disparou a correr de felicidade por todos os cantos, mergulhou e nadou no lago, lambeu a cara dos desavisados deitados na grama. Sismou com dois rapazes que batiam fotos, acho que queria sair com eles na estampa! Parecia um bicho doido, descontrolado, ou como disse meu marido, um fio desencapado... Lá pelas tantas viu um grupo dentro d'água, ele jogou-se juntou...

Aprontou todas e levou o troco

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No fim de semana Bento teve um comportamento quase exemplar. "Quase" por que eu saí com ele para passear por três vezes, e não deu muito certo, ele ainda insiste em "me levar" para o passeio, indo a minha frente e indicando o caminho. Na última vez foi um pouco melhor. Em compensação ele não latiu para a cachorrada. Parece que adivinhou que tínhamos um colar eletrônico para ele. Mesmo quando ouvia os latidos dos vizinhos, ele permanecia sereno e sem intenções de partir para a briga. Creio que foi o primeiro final de semana que não houve correria e latidos ao longo das cercas. Acho que a chuva também desanimou a bicharada e contribuiu para o sossego geral. Pensei, feliz, que ele ia escapar do tal colar. Qual nada. A quarta-feira amanheceu linda, com direito a céu azul fresquinho, depois de chuvas e mais chuvas fora de temporada em Brasília. E Bento amanheceu animado! Quando cheguei da ginástica, Lu já foi me avisando que ele estava aprontando com os cachorr...

Colar eletrônico

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É caro Bentinho, eu acho que você não precisava de um colar desses, mas você é um cara tão teimoso... Nosso problema com Bento são algumas manias caninas difíceis de aguentar. Ele gosta de provocar a cachorrada da vizinhança, como gosta! O vizinho do lado já fechou com telhas de alumínio nossa cerca, mas basta ele sentir o cheiro dos animais ali perto - e não precisa nem vê-los que isso não é mais possível -, para começar uma corrida barulhenta e enlameada junto à cerca, com nós todos de bobos atrás dele! No fundo é mais ou menos a mesma coisa, ele vê os cachorrinhos do lado de lá, e fica a mesma confusão, a diferença que são todos do mesmo tamanho, enquanto os aqui do lado são enormes e se jogam sobre as telhas de alumínio fazendo um barulho assustador. A bagunça acontece principalmente aos domingos, dia de cachorrada solta, ou à noite, quando os aqui do lado ganham liberdade e tomam conta do quintal do vizinho. Ele tem também outra mania irritante, correr e latir para os c...

Exagerado

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Pense em um cão consumista. Eu explico: ele nos consome. Você dá a mão, ele quer o braço, você dá o braço, e ele quer tudo. É assim. Quero cozinhar, mas ele quer brincar. Então traz os brinquedos para o meu pé, e eu ainda tenho que arrancar o brinquedo da boca dele. Vou lá fora e jogo a bola, o osso, ou o pote de plástico, e antes que eu chegue ao fogão ele já está lá de novo com o brinquedo na boca. Faço carinho, mas ele quer mais. Vamos passear, mas ele quer sempre mais. Jogar bola? Correr atrás dos brinquedos? Só a gente se cansa, ele incansável! A menina que estudar, e ele deixa? Nós viajamos e deixamos os dois em casa, ela disse que ele deixou de ser de ser sua sombra, e se tornou sua segunda pele... Vou atender, ele quer brincar, não vai dar desta vez, e ele se deita ao nosso lado. Pelo menos já não perturba. Vou dar curso, ele quer brincar com todo mundo. O jeito é deixá-lo na guia, amarrado no pé da poltrona. Não que ele fique muito feliz, mas pelo menos está junto.....