sábado, 22 de outubro de 2016

Sem Bento na história


A primeira vez que fui a Trancoso, foi dois meses depois que me casei. Fomos de carro do Rio para Arraial D'ajuda passar uma semana. Naquele tempo, em 1988, tinha até um lugar chamado de Lagoa Azul. Uma pequena lagoa próxima ao mar, de argila cor de rosa e muito macia. O pessoal entrava e tomava banho completo, depois deixava secar e ficava todo mundo rosa cor de Caladryl.

Era mesmo uma delícia, previsível que não durasse muito a tal lagoa... Arraial naquele tempo não tinha asfalto nem paralelepípedo, mas um monte de pousadinhas de frente para o mar. Um dia fomos conhecer Trancoso, muita gente arriscava ir pela praia, uns vinte quilômetros mais ou menos, mas fomos de ônibus.

Este sacudia um bocado na estrada de terra estreita e poeirenta. Atravessamos umas duas pontezinhas onde só dava mesmo a largura certa do veículo. Numa delas, que ao que parece não dava conta do peso do ônibus cheio, desceu todo mundo, e depois da ponte subiu todo mundo de volta.

Depois de um tempão chegamos. O Quadrado era o pasto de vaquinhas. As casinhas coloridas eram uma só paz. Não tinha pousada ou restaurante por ali, se tinha não deu nem para perceber. Atrás da igrejinha aquele marzão sem fim, rodeado pelo manguezal e o rio.

Naquele dia não entrei no rio, andamos para o outro lado, a praia dos Coqueiros, que por aqueles dias era praia de nudismo. Vimos muito pouca gente, afinal os turistas ainda não tinham redescoberto a região. Tinha sim um grande pier de madeira, ainda tenho uma foto lá. Mas quem é que atracava por aquelas bandas? Quem teria construído aquela maravilha perdida nas águas do sul da Bahia?

Voltamos, e cansados tentamos sem sucesso cochilar no ônibus quente, empoeirado e sem conforto algum.

Já com as crianças pequenas passamos uma semana em Porto Seguro, cada dia em uma praia diferente, mas nos dia em que íamos a Trancoso choveu, e desistimos de voltar ao paraíso... Naquela época compramos um terreno em um loteamento de Porto, e esperávamos um dia construir lá. Cheguei até a fazer uma planta e falamos com um engenheiro da região.

Algum tempo depois eu e meu marido fomos passar um fim de semana em Trancoso, desta vez o Quadrado já era chique, as vaquinhas tinham ido embora e chegaram as lojas da Richard's e Manga Rosa... Num fim de tarde passeamos na praia dos Nativos. Lembro-me bem de sentar onde as águas do riozinho encontravam o mar... Apaixonei... Poderia ficar ali para sempre, sentindo-me abençoada pelas águas doces e salgadas, e por todas as mães d'água.

Vendo aquela paisagem verdejante, de mangue, coqueiral, céu azul, rio e mar, este cintilando com a luz do dia, dava para entender por que tanta gente largava tudo e ficava por lá. Há uma magia, um não sei o quê, que enfeitiça, que faz o tempo correr mais devagar. Chamo o lugar de a "terra dos cachorros livres felizes", há um monte deles, e sempre que andamos pela praia um amigo canino nos faz companhia da longa caminhada (quando não temos a companhia do Bento, é claro).

Depois, de outra vez, choveu torrencialmente todos os dias. Sem ter como ir a praia ou passear, fomos visitar um stand de vendas de um loteamento, compramos um novo terreno em Trancoso, e vendemos o que tínhamos em Porto.

Fincamos o pé no sonho de ter uma casa perto da praia. Doze anos depois, de muitas idas e vindas, minha filha quis casar em Trancoso. E nós que quase não gostamos do lugar aceitamos. A casa não saiu, mas o casório sim, e foi lindo! Com direito a cachorro e tudo! Bento faz parte da família, ele adora a Bahia, e correr na areia, jogar-se no rio e no mar de Trancoso!

Resolvi fazer uma pesquisa e compreender melhor tudo aquilo, que é Bahia (um outro país!), que é mágico. Li um livro que integra a tese de doutorado  de Fernanda Carneiro, intitulado "Nativos e Biribandos - Memórias de Trancoso". Vi também o filme "Viajantes ao Quadrado", da mesma autora.

Então dá para entender muito daquele lugar, e viajar no tempo, bem longe, quando aquele altiplano frente ao mar foi aldeia indígena, Itapitanga. Então as festas eram dos feiticeiros, dos pajés brasileiros, de certo que a magia deste lugar tem a ver com eles. Depois vieram os jesuítas e sua missão, e a igreja de São João.

Foi vila portuguesa, um alemão se aventurou por aqui. Depois foi caindo no esquecimento, difícil de chegar! Até que os hippies descobriram Trancoso nos anos 70. Saíram de suas cidades, deixaram suas famílias ricas, e aportaram por lá, vindo pela praia. Imaginem, sem luz, sem água (só na lata subindo a ladeira velha, uma pirambeira horrorosa). Banheiro, no mato, banho, no rio. Médico nem pensar, criança nascia com parteira, remédio era chá e erva. Cama era jirau de madeira com esteira de palha.

Saíram da opressão do regime militar, e encontraram a liberdade. Deixaram lares truncados e encontraram uma comunidade solidária, onde todos eram uma só família. Dinheiro? Nem havia. Trocava-se, farinha, café, peixe, fruta... Uma pobreza quase absoluta, mas uma alegria igualmente imensa, sempre disposta a festejar os santos, a cair no samba e na cachaça...

Nem tinham dinheiro, nem conheciam seu valor. Daí que terra também não tinha valor, trocava-se por rádio de pilha, moto e fusca velho, geladeira a querosene, qualquer coisa. E gente foi chegando e se entusiasmando. Nos anos 80 veio a estrada velha feita no muque dos homens, as pontes de madeira, então a água, a luz, e mais povo chegando!

E não parou mais de chegar. E onde é que vai dar? Quem vai saber? Aquela terra andou muito tempo parada no tempo, guarda a história e origens do Brasil, de seu povo mestiço, índio, negro e branco. Como esconder, não compartilhar sua beleza? Trancoso caiu na boca do mundo... Que os santos e os pajés orem e cuidem deste canto!

Se você aparecer por lá, cuide de não tomar banho no rio, pode se apaixonar irremediavelmente por este lugar...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Você já foi a Bahia? 2ª parte



Chegamos na vila, e logo estávamos na praia. Bento totalmente à vontade. Ele brincou muito todos os dias, atrás do frisbie, atrás da bolinha, com as crianças, com os adultos.

Nossa preocupação era com o dia da cerimônia. Combinamos que o deixaríamos em um quarto da casa onde o casamento ia acontecer, mas será que ele não ia chorar como faz aqui em casa sempre que o deixamos preso quando há festa?

O teste aconteceu no dia anterior. Tiramos uma foto com todo mundo na igrejinha e descemos para a praia, já era fim da tarde e íamos caminhar até uma barraca de praia onde combinamos um forró. Já no início do caminho choveu, e chegamos todos  já molhados e despenteados ao nosso destino. Depois disso estávamos completamente descontraídos!

Bento junto. A chuva parou, a chuva voltou e todos se apertaram na barraca. O forró tocou e tudo esquentou! Quando a chuva deu nova brecha os convidados se espalharam pela areia da praia ,e já de noite uma fogueira completou a folia.

Amarrei a guia de Bento numa das mesas, ele ficou lá quietinho, debaixo do banco de meu compadre. Acontece que naquele dia meu marido tinha comprado para ele uma carne assada bem temperada... Nosso compadre disse que o cão embaixo peidava, e quem de certo recebia a fama de peidão era ele!

Fora a flatulência, levada com bom humor por nosso amigo, ele ficou quietinho enquanto todo mundo se divertia. Passou no primeiro teste.

O dia seguinte amanheceu e teríamos o casório. De gravata borboleta ele desfilou com meus outros dois filhos e deitou-se aos pés dos padrinhos e madrinhas da noiva. Estava visivelmente humilde. Creio que reconheceu a importância do momento, deu um único latido na hora do beijo dos noivos e nenhum aborrecimento.

Depois da cerimônia ele ficou no quarto dos noivos. E embora desse para ouvir toda movimentação e música da festa, ele ficou como um príncipe. Deitou-se no travesseiro do casal e dormiu tranquilamente. Volta e meia um de nós ia verificar a situação, e ele ficou lá durante a tarde, a noite e parte da madrugada, sem incidente algum, exceto pelos pelos deixados na cama. Quem te viu, quem te vê Bentinho!

Manhã de praia e sol e chegou a hora de partir. Eu fiquei para curtir e descansar mais um dia, gentileza do maridão! Ele e o cão fizeram a longa viagem de volta para casa. Desta vez Bento foi dormindo a viagem toda, não vai ter praia na chegada, né?

sábado, 15 de outubro de 2016

Você já foi a Bahia? 1ª parte


Bento já. E agora pela segunda vez. Na primeira ele tinha cinco meses, e se esbaldou nas areias brancas, no rio, no mar... Dava para ser feliz só de ver a felicidade do cachorro. Desta vez ele foi para o casamento de minha filha mais velha, isto é, de sua irmã maior.

Organizamos tudo, diretamente de Brasília para Trancoso. Confesso que me diverti muito, para procurar os lugares e falar com o pessoal fornecedor era sair de biquíni e saída de praia, chinelo no pé, andar, e parar por aqui e ali assuntando tudo.

Gente, casamento na Bahia é para se divertir, entrar no clima "no stress" do povaréu de lá, e sonhar com o dia de encontrar os amigos, familiares e curtir uma semana de festejos e alegria! É para ser feliz. E foi feliz, e com muito amor no coração que ajeitei cada detalhe, encontrando as pessoas certas para fazer deste momento algo realmente especial.

Meu marido até brincou que se a noiva não aparecesse eu casava no lugar dela! Exageros a parte, eu até provei os docinhos da festa enquanto ela não. Eles vieram embrulhados no avião, comigo e meu marido, e ela que mora do outro lado do Atlântico teve que esperar até o dia do casório para provar de nossas escolhas.

Aproveitei também para dar vazão ao meu lado artesã, e confeccionei muita coisa para o dia, Bento também ganhou gravata borboleta e bandana, no mesmo tecido que usamos para os convites. Certo, ele teria que ir, adora mar e nós adoramos também. A noiva faz questão e nós também.

Fomos de carro. Cheio de lembrancinhas, vestido de noiva, terno de noivo, etc. e tal. Um cooler cheio de belisquetes para a viagem, dividindo o banco de trás com o Bento. Ele animadíssimo. Meio metro de língua feliz para fora da boca, com a patas sobre o cooler para melhor aproveitar a paisagem.

Realmente, um lindo dia de sol! À noite paramos em Vitória da Conquista. No dia seguinte ele latiu feliz quando entrou no carro. Foi chorando quase que toda a viagem, de felicidade, de ansiedade, de vontade de chegar na praia. Eu e meu marido tínhamos certeza de que ele sabia para onde estava indo, ah se sabia!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Louco por carros


Bento adoooora um passeio de carro. Ele aprendeu a ir na frente, no chão do banco ao lado do motorista. No chão, mas com as patas dianteiras sobre o banco, juntinho de quem estiver lá. Assim ele espicha o pescoço e vê a rua.

Como é interessante a rua! Tantos carros, árvores, prédios, gente, e mesmo outros cães como ele! Tem gente que sabe ser feliz com coisas tão simples! Os cães são assim.

Bento gosta até mesmo de um passeio bem curtinho, de dois mínimos minutos, quando vou deixar Lu no ponto do ônibus, a um quilômetro de casa. Quando Lu diz: já vou! É a deixa para nosso amiguinho desabar escada abaixo, e correr para a garagem antes mesmo que o motorista apareça por lá.

Em geral a motorista sou eu. E, se não houver outra coisa para fazer, digo: Pode vir Bento! E ele já está empoleirado junto às pernas de nossa amiga. Se não eu digo: hoje não vai dar... E ele fica lá na varanda, vendo o carro partir sem ele, e partindo é claro nosso coração junto.

É sempre assim. Ou quase sempre. Outro dia ele aprontou muito, e eu disse para ele: você não vai não, está de castigo. E o cão entrou cabisbaixo porta adentro. Fechei a porta de correr da cozinha para a varanda, a porta de abrir da área para a garagem, e saímos, Lu e eu, tranquilamente de casa.

Neste dia havia muito trânsito. Ficamos esperando uma brecha entre os carros um tempão, depois do portão da guarita, já em frente a rua. Então ouvi um arranhão na minha porta. Seria um pássaro? Olhei pelo vidro fechado e vi um rabo branco!!!! Abri a porta do carro e Bento pulou para dentro, para se empirulitar no banco do carona.

Eu e Lu gelamos. Olhamos uma para a outra, com os corações ecoando de aflição, enquanto pegamos a direção do ponto de ônibus. O cão sorria de felicidade... Conseguiu pegar sua carona...

Refiz mentalmente todo o acontecido. Mandei ele para dentro de casa e fechei as portas. Fechei? Não havia trancado a porta de correr, ele abriu, desconsiderou o castigo, correu a tempo de pegar o portão da casa ainda aberto, correu e pegou o portão da guarita também aberto, passou invisível pelo zelador, e arranhou a porta com a pata para que eu abrisse. Por sorte eu fiquei esperando um bom tempo antes que pudesse entrar na rua. Ou eu não quero nem pensar...

Ele é assim, louco por um passeio de carro. Mesmo que seja por dois míseros minutos...

Bom, mas houve o dia da vingança. Fui pegar minha cunhada no aeroporto e fui logo chamando, Bento, vem comigo, vamos pegar a tia de carro! Ele só felicidade, pulando em cima de mim, até pisei na pata dele. E então me lembrei que deveria levá-la direto do aeroporto para o médico. Desculpe Bento, você não vai mais comigo...

E deixei o bicho com aquela cara de tristeza de fazer dó no coração mais empedernido, o que nem é o meu caso.

domingo, 17 de julho de 2016

Bento e o manto da invisibilidade



Quem não deseja vestir o manto da invisibilidade, e passar imperceptível em determinadas situações da visa! Bento também, e ele quase consegue...

Ele tem várias estratégias para tentar seu intento. É de morrer de rir, quando meu marido chega na cozinha, depois que pus o Bento para dormir, e ao abrir da portinhola ele passa pelo cantinho, e de rabo e cabeça abaixada, caminha de mansinho pata ante pata até alcançar a escada! Ou até ouvir minha voz atrás dele: Bento, onde você pensa que vai? E então retornar cabisbaixo...

Outra noite deu certo, ouvi quando ele entrou devagarinho no quarto e foi se esconder debaixo da cama! Mas na madrugada meu marido o resgatou para sua cama na cozinha.

Já o vi escondidinho debaixo da cadeira do closet, coladinho ao fundo da mesma, pensando passar despercebido... Ou debaixo das colchas da cama, ou debaixo do protetor do colchão da cama! Ele não mede esforços para vestir o tal manto que pode deixá-lo invisível!

Tudo para ficar ainda mais pertinho de nós! E dá para resistir?

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Um cão quase perfeito


É verdade, nosso cãozinho está se tornando quase perfeito. Quem diria que aquela pestinha ia tomar jeito um dia! Ele vai completar dois anos no próximo sábado, e fico pensando se terei que mudar o nome do blog, de "As aventuras de Bento, o cão intrépido", para  "As gracinhas de Bento, o cão dócil", ou qualquer coisa assim.

Ele está cada vez mais dócil, e mais obediente. Agora ele se deita em frente à porta do quarto de minha filha, dá até uma choradinha, mas só entra no quarto quando a garota diz "pode vir Bento!"

Se ele está deitado no sofá da sala, basta um "desce Bento", para que ele retorne ao chão. O que não impede de olhar para mim sentado, com aqueles seus lindos olhos castanhos amendoados, enquanto abana levemente o rabo, como quem espera um "venha Bento!" para pular ao meu lado.

Amoroso, está sempre disposto a um chamego, a nos dar uma lambida nas mãos (ou na parte que estiver mais disponível...), a deitar sua cabeça em nosso colo ou sobre nosso pés, enquanto olha de soslaio para ver se a atitude está aprovada.

Quando digo "Bento, vamos tomar seu remedinho?" Ele vai direto para sua cama e docilmente toma as gotas de florais que lhe dou (vou ter que filmar isso!)

Ontem ele assistiu o Fantástico. Sentado aos pés da TV, ele não desgrudou os olhos dos tubarões, das arraias saltadoras, nem dos trinta e três leões que foram repatriados para um centro de animais selvagens na África do Sul. Comportado, não latiu, nem atacou a televisão. Fantástico!

Bento adora passear de carro, antes se apressava em chegar na garagem antes de nós, e se possível aboletar-se no banco do carro, se este fosse aberto, mesmo que tivesse que passar a nossa frente e por nossos pés. Atualmente basta dizer para ele, "é Bento, desta vez não vou poder te levar...", e o cão, com a cara mais triste e decepcionada do mundo (ele sabe como ninguém cortar nosso coração!), retira-se para a varanda lá de cima, para se despedir enquanto saímos, com a tal cara de nos fazer sentir eternamente culpados de vilania animal.

A cachorrada lá dos fundos vive chamando-o para uma boa briga e corrida junto à grade. Eles chegam a latir por uma hora ou mais, mas Bento os ouve em quietude, somente as orelhas dão sinal em resposta. O que não impede que outro dia, ao ver o cão do outro lado, ele tenha perdido as estribeiras, e corrido junto à cerca. Ao meu chamado, ele se retirou de fininho, para que eu não o visse. Tomou o caminho da lateral da casa, passou pela frente, entrou silencioso pela porta da garagem, e deitou-se em sua cama, como se nada tivesse acontecido.

E eu pensaria ter me enganado, não fosse pelas patas enlameadas do cão branco... É claro, levou uma bronca, eu com as mãos na cintura, e ele com certeza entendeu. Ele entende tudo. Mas receio que tenha sido uma de minhas últimas broncas...

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Com a corda toda!


Quem tem um Jack sabe que estes cães têm muita energia, que precisa ser gasta diariamente! Suspeito que esta energia possa ser cumulativa...

Afinal, não temos gasto muito a energia do pequeno cãozinho, alguns passeios curtos com a filha do meio, passeios rápidos de carro, e o famoso jogo de bolinha e brinquedos. Nas última vezes que ele correu na cerca com os cachorros do vizinho, levou tremenda bronca. E também temos evitado seus corriqueiros banhos de piscina, de forma que, havia muita energia acumulada!

Mas, neste domingo, de tempo seco em Brasília, céu azul de Brigadeiro, um fresquinho e uma brisa boa, acordei cedinho e decidi sair com Bento.

Como o cão estava muito ansioso, foi com a coleira na barriga, assim não me puxa, pois qualquer puxão e vai ser muito incômodo para ele. Então fomos muito bem. Percorremos rapidamente os quase 4 km que nos levam até o laguinho do Park Way.

Para meu espanto ele não foi se jogando apressado dentro d'água. Eu tive até que insistir um pouco com ele. Mas, uma vez dentro, ele não quis mais sair. Pois bem, deixei-o se divertir bastante, só não gostei da curiosidade dele quanto à tubulação que traz a água ao lago.

Depois de uns 20 minutos de natação, eu o chamei para fora d'água, mas ao invés disso ele pulou para dentro da tubulação! Para ver o que tinha acontecido eu tentei descer junto ao lago, levei um escorregão e quase caí n'água! Mas deu para ver que a tubulação que abastece o lago é mais baixa, e que o cão não conseguiria pular de volta. Pronto! Perdi o cachorro! Foi o que pensei.

Mas nem bem refeita do susto, e não deu tempo nem para uma aflição maior, eis que o danado surge, inteiro e molhado junto à mim.

Ufa! Coloquei-lhe a guia e me levantei, sentindo o músculo da perna esquerda doer do quase tombo. Calculei que a tubulação o levou rapidamente ao outro lado da pista dos carros, onde deveria ter a outra saída da água. E ele atravessou a pista... Por sorte era domingo e não havia quase movimento nenhum.

Meio mancando acreditei que Bento estava o suficiente cansado das aventuras da manhã. Que nada. Deixei-o solto boa parte do caminho de volta, e ele correndo e pulando. Cheguei em casa e ele me trouxe a bola para jogá-la.

Por fim já não lhe dei atenção, para poder fazer o almoço. Mal sentamos para comer e ele se jogou na piscina e ficou lá um tempão. Depois saiu correndo feito um doido pelo quintal (donos de Jack sabem do que estou falando), e nos trouxe a bola rasgada para jogarmos.

Depois de algum trabalho conseguimos secá-lo com a toalha, o que não adiantou muito, pois daqui à pouco ele estava de novo na piscina! E depois saiu feito doido pelo quintal! E lá pelas tantas minha filha o secou novamente...

Felizmente hoje, segunda-feira, ele está tranquilo. Tomara que leve um bom tempo até ele acumular toda aquela energia!